13/10 - Despedida de Tarrytown


12/10 - Ontem um jato partiicular se chocou com um edifício em Upper East Side de Nova York. O avião era pilotado pelo jogador de beisebol Cory Lidle do New York Yankees. Traumatizados pelo atentado do 11 de setembro os novaiorquinos imaginaram de inicio que poderia ser um atentado terrorista. A aeronave chocou –se, na altura do andar 41 , com este edifico de 50 andares, não houve mortos além do jogador, apenas alguns moradores se feriram sem gravidade.
A escola vive um dia triste, na madrugada, um aluno se suicida, o rapaz , um coreano de uns vinte e cinco anos com namorada na própria escola. Nada em sua rotina aparentemente feliz indicava este ato desesperado.Eu meu amigo brazuca demos um andada pela cidadezinha.
13/10.
Meu último dia em Tarrytow começou com algumas despedidas no café da manhã , depois aula, mais despedidas , almoço, outras despedidas. Essas escolas proporcionam uma experiência interessante. Você nunca se sente sozinho, há muitos como você, que deixaram suas famílias em outros continentes para viver a mesma aventura. São os seus primeiros amigos. E eu os deixaria também para traz.
O brazuca e mais um colega venezuelano resolveram me acompanhar até Manhattan. O que foi bom, pois estava com duas malas pesadas. No trem ocupamos as ultimas poltronas e as malas logo atrás de nós. Pegamos o trem lá pelas 4 horas da tarde, nunca havíamos andado neste horário, diferente das outras vezes o trem seguia lento parando em tudo que era estação, em uma delas entrou um grupo de uns doze rapazes negros, com suas calças largas, bandanas na cabeça, ipod nos bolsos e fone nos ouvidos. Imaginei de inicio que era um time de escola viajando com seu professor para jogar em outro bairro. Alguns ocuparam meu vagão, não sentaram, ficaram dançando, cantarolando, conversando em voz alta e circulando entre os vagões. Um outro garoto, uns 14 anos, que estava próximo a nós e não pertencia ao grupo estava comendo um saco de chips. Um dos rapazes lhe pediu um pouco de chips e ganhou. Voltou uma segunda vez e uma terceira até que o menino lhe deu todo o saco de chips. Todos no vagão estavam apreensivos. O resto da viagem foi bastante intraquila, fiquei preocupado com minha bagagem, ela poderia ser roubada, a gang poderia nos assaltar .
O bilheteiro passou conferindo quem tinha pago passagem, parou nas nossas poltronas e não viu o pedaço de papel que deixara marcando de quem já recebera e cobrou novamente os ingressos. Ou seja, os rapazes recolheram esses papeis e colocaram-nos em suas próprias poltronas.No meu caso, como meu bilhete era somente de ida, e por isso recolhido pelo bilheteiro, não houve como provar que tinha pago passagem. Fiquei apreensivo, mas o bilheteiro entendeu todo o quadro. Foi a mais longa viagem de trem que fiz nos EUA. Na penúltima estação, uma senhora idosa, uns 60 anos, branca, vinda do vagão a nossa frente, perguntou se não havíamos presenciados o que a gang fizera. Perguntamos a que se referia, respondeu que era a forma desrespeitosa que agiam no vagão. Nos contou, inclusive, que fora ameaçada.
Foi um alivio para todos quando o trem chegou na Grand Central.
Despedi de meus amigos que iriam para a Time square enquanto eu iria pegar o metrô.
Com duas bagagens, no horário de rush, tive mostras de que os novaiorquinos são muito mais amigáveis e solidários do que imaginava. Em várias oportunidades pessoas se ofereceram para me ajudar. Sem contar que abusei de pedir informações a transeuntes, fui sempre atendido gentilmente.

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